O implante do plug no ponto lacrimal é um tratamento intermediário entre a opção clínica e o procedimento cirúrgico reversível e efetivo para a Síndrome do Olho Seco.

Plugs de ponto lacrimal são usados há mais de 20 anos e, neste período, sofreram várias modificações de design e tipos de material empregados. O material mais comum é o silicone, que apesar de ser inerte, causa em alguns pacientes a sensação de corpo estranho. O implante exige aprendizado técnico e material específico (dilatadores e pinças), além da descrição de casos de complicações infecciosas como canaliculites e dacriocistites relacionadas ao seu uso.

Os plugs termosensíveis são fabricados com material acrílico hidrofóbico que se apresenta de forma sólida à temperatura ambiente e torna-se um gel maleável em contato com a temperatura do corpo humano (ou qualquer temperatura maior que 30ºC). Por esta característica, o plug permite a inserção sem dilatação prévia do ponto lacrimal e molda-se de acordo com a anatomia do canalículo do indivíduo, sendo fabricado em tamanho único. Ocorre ainda expansão do diâmetro de 0,4mm para até 1 mm, ao mesmo tempo em que diminui o comprimento.

Descrição do Estudo com 9 Pacientes

Para esse estudo, analisado e aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Faculdade de Medicina do ABC, foram selecionados 9 pacientes do ambulatório de Patologia Externa do Instituto de Olhos, portadores de olho seco e usuários de lubrificante de forma contínua.

Após lerem e assinarem consentimento informado, esses pacientes foram submetidos à avaliação oftalmológica completa, incluindo o exame com fluoresceína, rosa bengala, tempo de ruptura do filme lacrimal (BUT), teste de Schirmer I e o questionário ODSI (Ocular Surface Disease Index).

Os pacientes diagnosticados com a síndrome da disfunção lacrimal – com queixa, apesar do tratamento clínico – foram submetidos a implante de plug termossensível de acrílico hidrofóbico nos pontos lacrimais inferiores de ambos os olhos - e foram acompanhados por um período de 60 dias.

Os materiais específicos necessários para a técnica incluem: Smart Plugtm produzido pela empresa Medennium e uma pinça de ponto oftálmica.

O estudo teve a duração de 60 dias. O seguimento dos pacientes foi feito no D1, D7, D30 e D60, com exame oftalmológico completo, teste de Schirmer I, teste de fluoresceína, BUT lacrimal e teste de coloração com rosa bengala. O questionário ODSI foi reaplicado no D30 e D60.

Ao final do acompanhamento os resultados foram: melhora dos sintomas de irritação ocular, diminuição da frequência do uso de lubrificantes, complicações infecciosas e alterações de superfície ocular determinada pela fluoresceína, rosa bengala e BUT lacrimal.

Conclusão

Em todos os pacientes estudados houve melhora nos sintomas de olho seco e melhora nos parâmetros oftalmológicos pesquisados. Em apenas 1 dos pacientes a melhora dos sintomas foi pequena, e não houve diminuição na dependência de colírio lubrificante. Nos outros 8 pacientes houve diminuição no uso de colírio. Durante o estudo não ocorreram complicações infecciosas ou de extrusão.

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